quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O QUE É A TERAPIA OCUPACIONAL


            A terapia ocupacional de acordo com Jacobs & Jacobs (2006), é a disciplina de saúde preocupada com a capacitação funcional e o bem-estar. Uso terapêutico dos cuidados pessoais, trabalho e actividades de lazer para aumentar a independência funcional, o desenvolvimento e prevenir a incapacidade. Pode englobar adaptação de tarefas ou ambientes para obter o máximo de independência e melhorar a qualidade de vida.
            Segundo a AOTA (cit. por Marques & Trigueiro, 2011 p. 70), a terapia ocupacional é a prática baseada no uso terapêutico das actividades diárias (ocupações) com pessoas ou grupos de modo a promover a sua participação nos papéis e situações da casa, escola, local de trabalho, comunidade e outros contextos. Os serviços de terapia ocupacional têm como objectivo promover a saúde e o bem-estar àqueles que têm, ou estão em risco de poder vir a desenvolver, uma doença, lesão, desordem, condição, deficiência, incapacidade, limitação nas actividades ou restrição na participação. Os terapeutas ocupacionais abordam aspectos físicos, cognitivos, psicossociais, sensoriais e outros relativos ao desempenho, nos vários contextos, de forma a suportar o envolvimento da pessoa nas actividades diárias, interferindo na saúde, bem-estar e qualidade de vida.  
            Para Moreira (2008 p. 80), a terapia ocupacional é uma profissão da área da saúde que, tradicionalmente, actua no campo da reabilitação. No processo de reabilitação, o terapeuta faz uso da acção humana, através das actividades da vida prática e quotidiana da população atendida.


REFERÊNCIAS
Jacobs K. & Jacobs L. (2006). Dicionário de terapia ocupacional: guia de referência. (4.ª ed.). São Paulo: Editora ROCA.
Marques, A. & Trigueiro M. J. (2011). Enquadramento da prática da terapia ocupacional: domínio e processo. (2.ª ed.). Porto: Editora Livpsi.
Moreira, A. B. (2008). Terapia ocupacional: história e abordagens territoriais/comunitárias. Revista Vita et Sanitas, 2: (02): 80-91.
TERAPIA OCUPACIONAL EM PORTUGAL E NO MUNDO
O curso de Terapia Ocupacional surge em Portugal pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 1957.
Em 1966 foi criada oficialmente a Escola de Reabilitação do Alcoitão, actualmente denominada Escola Superior de Saúde do Alcoitão (ESSA). Na ESSA a licenciatura bietápica em Terapia Ocupacional teria inicio um pouco mais tarde, em Janeiro de 2001.
Em 1982 surge na Escola Técnica da Saúde do Porto, o curso de Terapia Ocupacional. A 27 de Outubro de 2000 na ESTSP o curso de Terapia Ocupacional passa a licenciatura bietápica, através do D.L. n.º 1044/2000.

Enquanto profissional da área de saúde, o terapeuta ocupacional em Portugal, encontra-se integrado na carreira de Técnico de Diagnóstico e Terapêutica, regulada pelo Dec.-Lei n.º 384-B/85, de 30 de Setembro, e cujo conteúdo funcional e competências Técnicas são definidos pela Portaria n.º 256-A/86, de 28 de Maio.
A 24 de Julho de 1993, através do Dec.-Lei n.º 261/93, são regulamentadas as actividades dos profissionais de saúde, designadas por actividades paramédicas, onde se inclui a Terapia Ocupacional.
 
É no final do séc. XVIII e principio do séc. XIX que a Terapia Ocupacional encontra as suas raízes filosóficas, com o início do Tratamento Moral impulsionado pelo Dr. Philippe Pinel, (França, 1791).
O período entre 1840 a 1860 foi a época de ouro para a aplicação do tratamento moral e da ocupação nos hospitais norte-americanos, contudo, a guerra civil e a crise económica nos Estados Unidos, vieram a contribuir para o declinar do tratamento moral e da ocupação como meio de tratamento do doente mental.
No final do séc. XIX, surgiram os acidentes industriais e com eles o número de pessoas incapacitadas aumentou. Era imperioso que aparecesse uma nova forma de tratamento, para as incapacidades que daí advieram. Surgiu assim, o movimento das artes e do artesanato, no início do séc. XX, tendo de acordo com John Ruskin em 1860 um efeito terapêutico. Nos anos 20 do séc. XX surge formalmente a Terapia Ocupacional, devido ao tratamento dos soldados deficientes oriundos da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Nesta altura surge simultaneamente um grande progresso na Europa, nomeadamente na Inglaterra, onde a reabilitação dos soldados era também uma necessidade.
É em 1922 que surge a primeira definição de Terapia Ocupacional. Pattison (1922) refere a Terapia Ocupacional como “Qualquer actividade, mental ou física, especificamente prescrita e orientada com o objectivo de contribuir e apressar a recuperação de doença ou lesão”.
Na segunda Guerra Mundial, desenvolvem-se novas áreas de intervenção, escolas e associações profissionais.
            Em 1957 surge a World Federation of Occupational Therapy (W.F.O.T.), que contribuiu de forma bastante positiva para o desenvolvimento da profissão, universalizando o programa educativo e expondo padrões básicos exigidos para a formação dos TO.


REFERÊNCIAS
http://www.ap-to.pt/to.html


MODELOS EM TERAPIA OCUPACIONAL

 A Terapia Ocupacional tem como modelos de suporte:
  • Modelo Biomecânico (Pedretti, 1990)
  • Modelo de Neurodesenvolvimento (Bobath 1950)
  • Modelo Cognitivo-Comportamental (Watson e Rawner, 1920)
  • Modelo Psicodinâmico (Freud, 1926)
  • Modelo da Ocupação Humana (Kielhofner, 1980)
  • Modelo de Desempenho Ocupacional (AOTA)
  • Modelo de Reabilitação (Schkate & Schltz, 1992)


REFERÊNCIAS
http://ocupacional.no.sapo.pt/modelos_em_to.htm
TERAPIA OCUPACIONAL NO PANORAMA CLÍNICO

Segundo a APTO
Os Terapeutas Ocupacionais intervêm em diversas disfunções:

Disfunções Neurológicas e Ortopédicas, trabalhando com Traumatismos Cranianos, Acidentes Vasculares Cerebrais, Artrite Reumatóide, Amputados, Esclerose Múltipla, etc.

Trabalho domiciliário intervindo directamente com doenças como o Parkinson, Alzheimer, e outros estados demenciais.

Na psiquiatria, com doentes que sofrem de Esquizofrenia, Depressão e Doença Mental. Em Instituições de Apoio à Toxicodependência e Alcoolismo.

Na área de Pediatria, com crianças com Hiperactividade, Atrasos de Desenvolvimento, Deficiência Motora e Mental, Dificuldades de Aprendizagem e Disfunções Sensoriais.

Podem ser integrados em Hospitais, em equipas de intervenção precoce, Centros de Saúde, Instituições para pessoas com deficiências (CERCI's, APPACDM, APPC, etc).

Na área de Ensino e de Investigação, que cada vez mais é um campo aberto para ser explorado e um grande desafio para muitos Terapeutas Ocupacionais.

Sem dúvida que a Terapia Ocupacional é cada vez mais uma profissão em grande desenvolvimento, quer ao nível Nacional, quer ao nível Mundial.

Em Portugal foi considerada no relatório do Grupo de Missão do Ministério da Saúde como uma das poucas profissões com tendência a crescer nos próximos anos.


É sem dúvida, através de gestos simples que se faz o trabalho da Terapia Ocupacional, tendo sempre como missão, acrescentar vida aos anos e não anos à vida.


REFERÊNCIAS
http://www.ap-to.pt/
ÁREAS TRABALHO DA TERAPIA OCUPACIONAL

Âmbito sanitário:
Hospitais gerais
Hospitais geriátricos
Hospitais pediátricos



Hospitais psiquiátricos
Hospitais de dia
Centro saúde
Unidades cuidados continuados curta, média e longa duração
Unidades de desintoxicação




Âmbito socio-sanitário:
TO em centros de dia
TO em assistência domiciliaria
TO em unidades de longa estância
TO em cuidados paliativos

Âmbito social:
TO em residências
TO comunitária
TO em serviços de ajuda ao domicilio
TO em centros de reabilitação psicossocial
TO em centros de prevenção de drogas
TO em centros ocupacionais
TO em centros de reabilitação laboral
TO em centros de acolhimento
TO em centros penitenciários

Âmbito educativo:
TO em educação especial
TO em integração
TO em equipas de intervenção precoce

Âmbito de assessoria:
TO em equipas de prevenção de riscos laborais
TO em comissões de urbanismo
TO em tribunais e peritagens

Âmbito docente:
Universidades
Cursos relacionados com a sua especialização
Investigação


FUNÇÕES DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
  • Avaliação
  • Identificação das áreas de disfunção
  • Tratamento e intervenção
  • Aconselhamento, assessoria e consultadoria
  • Prevenção e promoção da saúde
  • Investigação e docência
  • Ensino e supervisão
  • Direcção, administração e gestão









REFERÊNCIAS
http://www.aneca.es/var/media/150316/libroblanco_terapiaocupacional_def.pdf